Como controlar a respiração pode nos fazer mais criativos?
- há 8 minutos
- 2 min de leitura
*Por Alexandra Olivares, conselheira de administração, docente e especialista em neurociência aplicada à tomada de decisões.
Os seres humanos possuem múltiplas habilidades e potencialidades, algumas vezes, desconhecidas. Em descobertas interessantes e recentes da ciência, aumentaram-se as possibilidades de alterar funções que consideramos completamente automáticas, como a respiração, que não precisa ser apenas como é, mas também pode ser diferente e melhor para nossa performance humana e saúde.

No cérebro, aquilo que está mais “acima” processa uma maior quantidade de informações complexas. Diferentes estruturas, como o córtex pré-frontal, integram informações de diversas regiões neurais para ajudar na tomada de decisão. Já o que está abaixo do córtex (subcortical) é reconhecido como áreas responsáveis pela motivação, emoção e memória.
Quando ativamos o córtex, temos consciência desses aspectos e resgatamos nossas lembranças e individualidades. Se algo acontece embaixo dele, não temos ciência. Áreas corticais e subcorticais não só fazem essa complexa gestão de escolhas e comportamentos, mas também regem o que acontece no nosso corpo. Por exemplo, quando e como estamos respirando. Uma área subcortical fundamental para a respiração é o tronco encefálico, nele existem núcleos que controlam de forma automática a inspiração, expiração, circulação, digestão, etc.

A grande maioria desses processos são automáticos, que podem acontecer de forma involuntária ou modulada através da nossa consciência. Mudar intencionalmente a forma de respirar gera ganhos expressivos em funções corticais e subcorticais, como atenção, regulação emocional, memória e processamento olfativo.
Falar de respiração intencional é falar de ordem neural. No processo de inspirar existem alterações que favorecem uma maior sincronicidade neural, mas o que isso significa? Que independente do que esteja acontecendo com nossos neurônios, eles tendem a se coordenar. Uma inspiração profunda estimula ondas neurais gama, associadas com a percepção simultânea de informações, maior qualidade de atenção, memória e geração de insights.
Do ponto de vista biológico, obtemos maior inspiração. Se ela for rápida (mais do que 10 por minuto), talvez eu seja menos criativa. Portanto, quando estamos trabalhando, se tivermos pausas para colocar nossa atenção na respiração, especialmente na inspiração, talvez consigamos melhores resultados. Por outro lado, a Neurociência revela que as pessoas, ao observarem a respiração, expiravam mais devagar, quase duas vezes mais lentas que a inspiração, e tinham menos probabilidade de ficarem ansiosas, especialmente em situações mais estressantes.
Particularmente, lembro de várias situações que me desencadeiam medo e o quanto aumentar a consciência da respiração altera a intensidade da emoção. Nos últimos meses, a prática intencional da respiração diminuiu minha angústia durante momentos de turbulência em viagens de avião, por exemplo. Da quase fobia, hoje me reconheço, surpreendentemente, muito mais serena nesses momentos. Se eu continuar treinando a inspiração, quem sabe eu me torne mais criativa.
PER VIVERE BENE


