Mindfulness na primeira infância: 4 maneiras de ajudar a criança a reconhecer as emoções
Seu filho fica muito frustrado quando precisa interromper uma brincadeira? Tem dificuldade para esperar ou parece não conseguir explicar o que está sentindo? Essas situações fazem parte do desenvolvimento infantil. Na primeira infância, as crianças ainda estão aprendendo a reconhecer as próprias emoções e precisam do apoio dos adultos para lidar com sentimentos como raiva, tristeza, medo e ansiedade.

Nesse processo, o mindfulness, também conhecido como atenção plena, pode ser um aliado. A prática consiste em direcionar a atenção para o momento presente, percebendo sensações, sons, movimentos e emoções. Mas, quando falamos de crianças pequenas, isso não significa pedir que elas fiquem em silêncio, meditem por longos períodos ou tenham controle sobre o que sentem.
A proposta é transformar situações cotidianas em oportunidades de descoberta. Segundo Fabiana Falcone, diretora de Operações Pedagógicas do Fadelito Rede de Educação Infantil, as atividades precisam respeitar a idade e o ritmo de cada pequeno.
“Para uma criança, o mindfulness precisa acontecer de maneira breve e lúdica. Podemos ajudá-la a perceber a própria respiração, prestar atenção a um som, observar sensações do corpo ou reconhecer o que está sentindo. Não se trata de exigir que ela fique parada ou controle suas emoções, mas de criar oportunidades para que, aos poucos, desenvolva maior consciência sobre si e sobre o ambiente”, explica.
Nessa fase, o papel dos pais e educadores é fundamental. Antes de conseguir lidar sozinha com emoções intensas, a criança precisa da ajuda de um adulto para se acalmar, compreender o que está acontecendo e encontrar maneiras de enfrentar a situação. Esse processo é chamado de corregulação emocional.
E não é preciso reservar um horário especial para isso. Veja quatro brincadeiras que podem ser incorporadas à rotina.
1. Brincar de respirar
Que tal convidar a criança a imaginar que está sentindo o perfume de uma flor e, depois, soprando uma vela? Outra possibilidade é colocar a mão sobre a barriga e perceber o movimento durante a respiração, sem forçar o ritmo.
A atividade deve ser leve e respeitar a disposição dos pequenos. Com bebês e crianças que ainda não compreendem instruções simples, o mais importante é a presença do adulto, que pode falar com tranquilidade, acolher o desconforto e ajudar a tornar o ambiente mais seguro.
“A criança aprende muito observando o adulto. Quando ele consegue desacelerar, falar de maneira tranquila e permanecer disponível em um momento de frustração, também está oferecendo uma experiência de regulação emocional”, afirma Fabiana.

2. Explorar os sentidos
O banho, a hora da refeição e um passeio ao ar livre podem se transformar em oportunidades para exercitar a atenção. Durante uma refeição, por exemplo, o adulto pode convidar a criança a observar a cor de uma fruta, sentir sua textura e perceber seu cheiro. Em um passeio, vale parar por alguns instantes para ouvir os pássaros, notar o vento ou observar as folhas de uma árvore.
A ideia não é incentivar a curiosidade e ajudar a criança a prestar atenção ao que está vivenciando. “Pequenas experiências sensoriais também favorecem a exploração do ambiente, tão importante nos primeiros anos de vida”, diz Falcone.
3. Usar o corpo para descobrir sensações
Crianças pequenas aprendem muito por meio do movimento. Por isso, atenção plena não precisa significar ficar parado. Caminhar devagar, perceber os pés tocando o chão ou imitar os movimentos de diferentes animais são formas lúdicas de explorar o corpo.
Os adultos podem propor desafios simples, como andar na ponta dos pés como um gato ou se esticar como uma girafa. “Na primeira infância, o corpo é uma das principais formas de conhecer o mundo. Por isso, atividades de atenção plena podem e devem envolver movimento. O importante é ajudar a criança a perceber aquilo que está fazendo e sentindo”, destaca a especialista.
4. Dar nome aos sentimentos
Quando uma criança fica brava porque precisa guardar os brinquedos ou triste porque chegou a hora de ir embora da festa do amiguinho, o adulto pode ajudá-la a reconhecer o que está sentindo. Em vez de minimizar a reação com frases como “não foi nada” ou exigir que ela pare de chorar, vale reconhecer a experiência: “Você queria continuar brincando e ficou bravo porque precisamos ir embora”.
Livros infantis, histórias e desenhos também podem ajudar os pequenos a ampliar o vocabulário emocional. Aos poucos, eles aprendem a identificar e comunicar melhor o que sentem, embora ainda precisem de apoio para lidar com emoções intensas. “Um dos aprendizados importantes é perceber que podemos sentir tristeza, raiva, medo ou frustração e encontrar maneiras de atravessar esses momentos com apoio. Quando o adulto acolhe e dá nome ao que está acontecendo, ajuda a criança a construir referências para compreender gradualmente as próprias emoções”, explica Fabiana.
É importante lembrar que o objetivo do mindfulness não é fazer com que a criança esteja sempre tranquila. Chorar, se agitar, demonstrar irritação e ter dificuldade para lidar com contrariedades são experiências que fazem parte da infância.
As atividades de atenção plena podem contribuir para ampliar a percepção das sensações e dos sentimentos, mas não substituem o brincar livre, o movimento, a convivência e o vínculo afetivo com os adultos. Também não devem se transformar em uma obrigação: cada criança tem seu próprio ritmo, e uma brincadeira que desperta o interesse de uma pode não funcionar com outra.
PER VIVERE BENE






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