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8 dicas para desconectar a casa de estímulos e relaxar, neurocientista ensina

  • 23 de jul.
  • 3 min de leitura

Televisão ligada sem que ninguém esteja assistindo, celular ao alcance das mãos, computador aberto, luzes intensas, notificações, ruídos constantes e excesso de informação podem impedir que o cérebro reconheça que chegou o momento de desacelerar. Mesmo fora do expediente, muitas pessoas continuam expostas a uma rotina sensorial semelhante à vivida no trabalho. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o cérebro responde continuamente aos estímulos do ambiente, mesmo quando a pessoa acredita que está descansando.


“A casa deveria funcionar como um espaço de recuperação. No entanto, quando permanecemos cercados por telas, ruídos, luzes fortes e informações, o cérebro continua interpretando que precisa estar atento. O corpo pode até estar parado, mas a mente permanece em atividade”, explica.


Esse excesso de estímulos é conhecido como poluição sensorial. Diferentemente da poluição visual ou sonora percebida de forma isolada, ela acontece quando vários estímulos competem ao mesmo tempo pela atenção: sons, imagens, cheiros, luzes, mensagens e movimentos. 


O descanso começa pelo ambiente


De acordo com Daiana, o cérebro precisa de sinais claros para alternar entre estados de alerta e relaxamento. Quando esses sinais não existem, fica mais difícil reduzir o ritmo mental.

“A luz muito intensa, a televisão ligada e o hábito de verificar o celular a todo momento mantêm o cérebro em uma lógica de vigilância. Ele continua esperando a próxima mensagem, notícia ou estímulo, mesmo quando não existe nenhuma urgência real”, afirma.

A exposição constante também pode favorecer irritabilidade, dificuldade de concentração, cansaço mental e alterações no sono. Em muitos casos, a pessoa acredita que não consegue relaxar porque está ansiosa, mas parte desse desconforto pode estar sendo reforçada pelo próprio ambiente.


“O cérebro não descansa apenas porque a pessoa sentou no sofá. Para que ele desacelere, precisa perceber que o contexto ao redor também mudou”, ressalta a especialista. 


A casa pode funcionar como uma extensão do trabalho


Com a popularização do trabalho remoto e o uso constante de dispositivos eletrônicos, os limites entre trabalho e descanso se tornaram menos claros. Responder e-mails no sofá, trabalhar no quarto, manter notificações ativas durante a noite ou usar o celular até o momento de dormir são hábitos que dificultam a criação de uma transição mental entre obrigação e recuperação. “Quando o mesmo espaço é usado para trabalhar, comer, assistir televisão e dormir, o cérebro perde referências. Criar pequenos rituais de encerramento ajuda a mostrar que aquela etapa do dia terminou”, explica Daiana.


Esses rituais podem incluir guardar o computador, reduzir as luzes, silenciar notificações, trocar de roupa, tomar banho ou permanecer alguns minutos sem estímulos digitais.


 

8 dicas para preparar a casa para o descanso cerebral


A neurocientista reforça que não é necessário transformar a casa em um espaço completamente silencioso ou abandonar a tecnologia. O objetivo é diminuir o excesso e criar momentos de recuperação sensorial.

Entre as principais recomendações estão:

  1. reduzir a intensidade das luzes no fim do dia;

  2. evitar deixar a televisão ligada como som de fundo;

  3. estabelecer horários sem celular;

  4. desativar notificações não essenciais;

  5. separar, quando possível, o local de trabalho do espaço de descanso;

  6. diminuir ruídos simultâneos;

  7. manter o quarto com pouca iluminação e sem telas;

  8. criar uma rotina de desaceleração antes de dormir.


A aromaterapia também pode ser utilizada como parte desse ritual, desde que de maneira segura e individualizada. Aromas associados ao relaxamento podem ajudar o cérebro a reconhecer que aquele momento é destinado à pausa.


“O olfato tem uma ligação direta com áreas do cérebro relacionadas à memória e às emoções. Quando um aroma é usado de forma constante em um ritual de descanso, ele pode se transformar em um sinal de desaceleração”, explica Daiana.


Ela ressalta, no entanto, que óleos essenciais não devem ser utilizados indiscriminadamente, especialmente por crianças, gestantes, pessoas alérgicas ou animais domésticos. 


O cérebro precisa de silêncio entre os estímulos


Para a especialista, o Dia Mundial do Cérebro também deve servir como um convite para repensar a forma como as pessoas ocupam a própria casa.

“Vivemos cercados de informação e começamos a tratar o silêncio como vazio. Mas o cérebro precisa de intervalos para organizar pensamentos, consolidar memórias e recuperar energia. Não é preciso preencher todos os momentos com uma tela, uma música ou uma notícia”, afirma.


Segundo Daiana, descansar não significa apenas interromper o trabalho. Significa reduzir a quantidade de estímulos que continuam exigindo atenção.


“Se a casa nunca desacelera, o cérebro também encontra dificuldade para desligar. Cuidar da saúde cerebral passa por observar não apenas o que pensamos, mas também o ambiente que construímos ao nosso redor.” 


PER VIVERE BENE

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